quinta-feira, 22 de julho de 2010

Hoje o céu mudou de tom


** Capítulo XII: O Retorno


"E a cena agora é a do cara estranho, alheio, perdido...

Imerso no mundo, sem procurar nele um sentido

Que anda de chinelo no frio, e sorriso vago estampado na cara

Falta vida, naquela vida que costumava ser tão viva

Surge um novo amigo, surge um novo vício

O cativeiro se instala

Os muros se projetam encerrando os planos, desejos, anseios, tesouros...

É uma prisão silenciosa, invisível, anestesiante...

Cheia da dor que não se sente

Como despertá-lo deste transe?

Como mostrar o retorno a quem está cego?

A fonte secou

O destino é o pó

Os gritos já são em vão

Levaram o meu amor e eu não sei onde o colocaram

Diz-me e eu irei buscá-lo onde quer que esteja

Pois eu sei que está aí, em algum lugar

Sim... estou falando de você...

Como ser capaz de escolher o caminho da dor, já conhecendo o do amor?

De fato, algumas pessoas precisam se perder, para se encontrar...

Hoje, é preciso esperar

Esperar que as lágrimas cessem

Esperar que os olhos enxerguem

Esperar a ressurreição de uma alma

Esperar a sede do que secou

Esperar que a tempestade passe e deixe só o que há de bom

Mas, hoje, o céu mudou de tom...

Porque você voltou

Chegou

Hoje você mudou de som...

Hoje o amor mudou seu dom...

Porque você chegou

Voltou

Hoje o céu mudou de cor

Pra falar do nosso amor..."


** Trecho do meu livro "As cartas de Mabel" - ainda em processo de criação

quarta-feira, 30 de junho de 2010

No fim, resta-nos a imaginação.

O relato de um homem comum que poderia ter vivido um amor extraordinário.

“Quando eu a conheci eu era uma pessoa carinhosa, sonhadora, atenciosa, um pouco irresponsável e inconseqüente... mas com um coração enorme e puro, cheio de amor pra dar.

E como dei amor a ela... Me encantei com a sua beleza, sua personalidade, seus olhos grandes cor de nutella (aaah... meus filhos teriam que herdar aquele olhar!). E assim vivemos um grande amor, fizemos planos e nos amamos de uma forma que eu nem achava que fosse possível amar alguém. Com ela, eu me sentia completo... ela despertava o melhor de mim.

O tempo se passou e com ele veio o meu amadurecimento, as responsabilidades surgiram e se tornaram latentes em minha vida... acho até que perdi um pouco da minha jovialidade e espontaneidade. Tudo começou a ficar mais pesado.

Fiquei imerso no meu próprio mundo e aquele grande amor para mim se tornou não algo secundário, mas algo muito abaixo disso... se tornou mais uma obrigação para cumprir.

Ao pensar assim a respeito do meu amor eu, automaticamente, já tinha esquecido porque que estávamos juntos... parecia que não era eu quem tinha me apaixonado por ela e a amado tanto. Parecia que de mim, nascia um outro EU: um EU diferente e indiferente; um EU egoísta; um EU mais competente e responsável; um EU mais estudioso...um EU que eu achava que era o meu verdadeiro EU, um EU que eu julgava ser melhor.

Então, resolvi abandonar de vez aquele meu primeiro EU, bobo e apaixonado; aquele EU que não precisava de motivos para sorrir; aquele EU que sabia onde estava o verdadeiro tesouro da vida... Então, inevitavelmente, junto com este EU, se foi também o meu amor. Ela partiu por não mais reconhecer em mim o grande amor da sua vida.

Hoje, com 37 anos, eu vejo como errei... eu consegui ter e ser tudo o que, aparentemente, sempre quis: sou um profissional renomado e respeitado, bem de vida... nada material me falta. Casei, tive um filho, me separei, e hoje não tenho relacionamentos que durem mais do que uma noite. Hoje enxergo nitidamente que o meu verdadeiro EU era o primeiro... e eu amargo o fato de ele ter sido engolido pelo EU que eu mesmo elegi para se passar por verdadeiro.

Sabe... tem noites em que eu abro uma garrafa de vinho, aquele vinho bem vagabundo, e fico a pensar nela... no meu grande amor... por onde ela andaria? Ela com certeza estaria muito feliz e bem casada, com o casal de filhos que sempre quis ter... e eu penso em como eu queria fazer parte desse quadro... como eu queria ser ainda o amor da vida daquela mulher... como eu queria que ela me esperasse em casa, cheia de amor, de carícias... com os olhos grandes cor de nutella grudados na janela...

Ai como fui estúpido! Hoje vejo que a amei mais do que a qualquer outra, e que ela me amou mais do que sequer imaginei ser amado. Um dia ela me disse que seria capaz de dar a própria vida por mim... e eu sequer fui capaz de conciliar os meus anseios pessoais com o grande amor que vivíamos. Eu que me achava tão maduro vejo que, na verdade, fui um fraco.

A vida está passando, o mundo está girando... mas da verdadeira fonte de vida – o amor verdadeiro – eu fugi há anos atrás. Despedi-me do meu grande amor sem saber que um dia, tudo o que mais quereria seria para ele voltar...

Agora, só me resta imaginar... “

terça-feira, 29 de junho de 2010

Bilhete



Bom dia, tristeza! Espero que tenha sido ótima a viagem até aqui! Saí para comprar uns sentimentos, ou melhor, mantimentos que lhe agradam, mas já estou chegando para lhe recepcionar!

Estou esperando o táxi chegar então, enquanto isso, vou adiantando as novidades...

Já estava estranhando a ausência de sua visita!

Agora que a Felicidade e o Amor foram embora chegou a hora de você voltar... Fiel companheira, competente professora.

Achei que nunca mais íamos nos encontrar nessa vida, ou melhor, achei que no formato “tristeza de amor” já havíamos tido mais encontros do que deveríamos... mas é isso aí, é sempre bom rever uma velha amiga, mesmo de forma tão inesperada.

Ah! Lembra do Tempo? Ele resolveu trabalhar com mais afinco por aqui no momento e, vou logo avisando, que ele não quer que você fique por perto muito tempo não! Ele realmente é encantado pelas irmãs Alegria e Felicidade, você sabe.

Quanto ao Amor, esse é um problema!! Continua dando trabalho... vira e mexe ele morre e só depois nasce de novo, e ainda por cima com outra cara! Ai ai, o Amor é uma figura... ora ele passa por mim e eu nem reconheço, ora acho que o encontrei, mas é engano... Mas acho que é assim com todo mundo, né?

Ah! Aproveite e coloque logo sua bagagem no segundo quarto à direita, você vai ficar dormindo com a Saudade... espero que não se importe! É porque, infelizmente, o outro quarto está todo destruído! A Autoflagelação passou uns dias aqui e tal... mas eu já a mandei embora! Eu hein... ô criaturinha abusada!

Enfim minha amiga, seja bem vinda! Saiba que pode ficar o tempo que precisar!

Só peço um favor em troca: não se esqueça de quando for embora, apagar o caminho daqui pra nunca mais voltar...

Ass: Coração

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Setembro


Um coração-aprendiz versando sobre o mês mais mágico do ano.

Primavera

A disposição dos astros

Influenciando a estação

Despertando o coração


Flores

O brotar da vida

O desabrochar do amor

Pétalas de paixão


A magia está no ar

No orvalho da manhã

No pólen dourado dos girassóis

Volátil


Eis que atinge o coração

Eis que direciona o olhar

O sorriso nasce tímido

As mãos contraem-se envergonhadas


A paixão aconteceu

O sol apareceu

Você se rendeu

É setembro


Primavera

Paixão florida

Pétala da vida

Abre o coração


É tempo de se apaixonar

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Frenético


Sinto-me só

Em meio ao tráfego pesado

Em meio a luzes multicoloridas e descontinuas

Exército de almas solitárias

Excesso de isolameto

Grades de proteção


O som do mundo frenético

A dinâmica do cotidiano

Ir e vir

Entrar e sair


Vejo ao longe

O possível espectro de minha ambição

Puro querer, razão de ser

E nossos caminhos se cruzam

Enquanto nossos olhares desviam-se

Penso que tenha sido um equívoco


Meu amor, você não me reconheceu

Tão pouco eu te identifiquei

E agora estamos perdidos para sempre

Mergulhados na realidade que não se sente

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Polissêmico


Meu coração

Repleto de plurisignificação

Intenções ocultas

Missões desbravadoras

Coração de desejos plácidos

Coração de atitude voraz

Coração rubro de sangue

Coração latejante de amores

Indecifrável, duvidoso, imprevisível coração

Nascido na polissemia

Matéria-prima de que é feita a vida

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Maré cheia




O mar azul

Calmo, insistente

Acaricia a areia

Sem pedir nada em troca



A areia estática

Observa o empenho do mar

Em conquistá-la




O mar quando debruça-se

Leva consigo, pouco a pouco

Os grãos singelos

Da areia indiferente




E na maré cheia

Mar e areia

Tornam-se um só




Em uma integração fascinante

Em um vai e vem alucinante

Encontro inevitável dos que se completam

Uma misteriosa atração


Sensação de ver o mar incendiado


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Reflexo


A imagem refletida

É a imagem analisada

Somos escravos da visão

Empresários da aparência


O tempo passa

A encantadora beleza some

A contagiante juventude escoa fluida entre os dedos

As rugas surgem e são sinônimo de velhice


O espelho reflete um eu irreconhecível

Eu envelheci e ele acompanhou todo o processo

Sem sofrer mudanças


A cada dia o espelho torna-se mais minucioso

Revelando as marcas que o tempo deixou em minha pele

Tão profundas que acabaram por me perfurarem a alma

sábado, 12 de julho de 2008

R E U P - Romance Em Universo Paralelo


O renascimento de um texto perdido no tempo e nas gavetas...
É madrugada, o dia já deu sua virada. A diversão da noite em nada me serviu... e, agora, eu fico aqui com a roupa suada e o rosto com restos de maquiagem a ouvir você cantar lindas letras de música, sobre sentimentos diferentes daquele que você nutre por mim.
A saudade me invade, não sei mais o que fazer em relação a nós dois. Estou tão envolvida... fazia muito tempo que eu não me sentia assim em relação a alguém. Você despertou, em mim, sensações que já estavam adormecidas.
Eu me apaixonei. Depois de mais de dois anos sendo dona de um coração de pedra, eu finalmente encontrei alguém que me encantasse tão naturalmente que, num passe de mágica, eu acabei me apaixonando inconscientemente... eu encontrei você.
Meu coração está batendo muito forte agora, está em taquicardia. Ainda ouço você cantar repetidamente “ eu só queria dizer e explicar pra você que eu ainda te amo, eu não quero te perder, eu vou lutar por você...”
Meu pensamento está lento... já escutei a referida música cerca de trinta e duas vezes e só introjetei esse pequeno trecho inicial. Eu hein... estou começando a ficar louca e, desconfio que estou enlouquecendo, também, todos a minha volta.
Já transitei por todas as fases presentes em um dilema. Já quis, desesperadamente, apagar seu numero de telefone do meu celular; já quis, loucamente, te ligar e cheguei até a discar o número por diversas vezes. Não sei o que fazer, não sei o que dizer... a não ser lamentar essa situação.
A saudade, então, continua... penso em você o tempo todo. Ah como eu queria te ver para te dizer que eu exagerei, que eu errei, que eu te quero tão bem... Deito agora em minha cama e repouso rosto e cabelos no travesseiro... estou te vendo... lá no alto... no Corcovado... olhando fixo para a Guanabara... sabia que o encontraria aqui. Então, me aproximo e digo no seu ouvido, sem deixar você se virar: “ Uma pena o que aconteceu, uma pena mesmo... eu não queria ter que te perder... volta pra mim inteiro, do mesmo jeito...nada vai mudar” e, quando você se virou e olhou para mim, a onda de sensações que atingiu-me foi tão grande que eu, de súbito, despertei sem sequer ouvir o que você tinha para me dizer.
É... agora só assim. Encontros marcados pelo timer do sono, por belas e imaginárias paisagens de fundo... mas, pelo menos, sei por onde você anda no plano dos sonhos.
Sei que isso pode não ser suficiente, mas, ao saber que te encontraria, meu coração inquieto adormeceu... e eu, sussurrando, disse a ele: “vai ficar tudo bem, ninguém fantasia como eu.”

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"O poeta só é bem grande se sofrer"


Uma carta escrita por Natanael Saann, eu –lírico em período de experiência, à sua amada.


Minha querida,

um certo dia, eu acordei e pensei em escrever sobre a falta de inspiração inerente à felicidade. Felicidade não deixa os nervos à flor da pele, sensíveis o bastante para desnudarem-se em palavras.
Aí pensei e me dei conta que há certo tempo me faltava inspiração. Não sabia eu, que essa inspiração logo logo retornaria com o desabrochar da noite e a queda da chuva daquele mesmo dia; dia supersticioso, sexta-feira 13...
Em segundos toda a tranqüilidade, paz e cumplicidade romperam-se como que fogos estilhaçados à Santo Antônio. Palavras atingiram-me em alta velocidade e, por dentro senti um liquido amargo começar a escorrer... era a paixão e a esperança esvaindo-se de meu peito. Mais uma vez constatei o que sempre evito ver; mais uma vez ignorei sinais divinos e intuitivos. Agora um novo romance barato fazia parte de minha estante já lotada de exemplares do mesmo gênero.
A culpa da situação foi de minha credulidade, que mesmo duvidosa, permitiu-me entregar-me; a culpa foi da minha falta de atenção para com os sinais divinos que eu mesmo solicitei, mas julguei-os infelizes coincidências e não deleguei a eles o seu devido valor e credibilidade. A culpa foi minha, meu bem, por não manter os pés no chão.
E agora, o que direi ao meu coração? Ele já está a atormentar-me pedindo prestações de conta. Não tardará o dia em que ele irá expulsar-me de mim mesmo por ser negligente e imprudente.
Então lhe digo, minha cara... desculpas não cessam a dívida que tenho com o meu coração, muito menos as suas para com ele. Ele, agora, depois de tanto sofrer, se fez metade pedra e não amolece com puras palavras. Meu coração não tem “reset”, o que foi dito está gravado e será usado contra mim e contra você no futuro. Agora é tarde. O encanto aos poucos construído, desmoronou veloz.
Acho que no fundo sabia que isso aconteceria, estava muito bom para ser verdade e, quando me sinto assim, é uma questão de tempo para que tudo comece a desandar.
Desculpas vãs, argumentos frágeis, imperícia em se expressar... são esses os pecados do ser amado.
Credulidade, esperança, paixão... são esses os pecados do eterno amante: ora sonhador, ora sofredor.
O que fazer agora a não ser recepcionar minha eterna companheira, materialização fiel de minha intensa tristeza? Seja bem vinda de volta, minha inspiração! És a fuga que acalma meu coração de poeta escrivão.



Com pesar e com afeto,

Natanael

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Largada


Caída do céu

No chão duro e real

Olhos abertos

Corpo e alma em uma marcha colossal

A brincadeira começou

Não é tarde

O caminho é longo

Mas farei tudo com esmero

Estou no ponto de partica

Estou no quilometro zero

Tudo é possível

Eu posso escolher as estradas que vou seguir

Escolherei as que o meu coração apontar

Se acertar, ótimo

Se não acertar, não importa

Não desanimarei jamais

E, assim, até que é bom

É bom que aprendo mais...

Boa sorte para mim!

A brincadeira que escolhi começa agora, mas não tem fim.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A acústica do banheiro


Porque algumas pessoas não se contentam só em falar bobagens; precisam, também, escrevê-las.


Já dizia o ditado: “quem canta, seus males espanta”. Desafio qualquer um a dizer que nunca cantou nem uma linha na vida. Essa é uma hipótese totalmente improvável, da qual não se teve notícias até hoje. Hitler e Getúlio, por exemplo, entoaram seus hinos de glória e nacionalismo exacerbado; rapazes declararam-se para as suas amadas por meio de serenatas e, hoje não é diferente... afinal, quem nunca cantou o hino mais envolvente da cerveja (sabe aquele sonho que você deseja? Ou seja, cerveja!) pelo menos uma vez?!
A música é o alimento da alma, a voz do coração. Canções são palavras articuladas milimetricamente, em ritmo harmônico e contagiante; compor é uma arte para poucos de muito talento.
Confesso-me perdidamente apaixonada pela arte de cantar, e canto mesmo... em qualquer esquina, em qualquer mesa de bar. Mas... nada se compara a cantar no chuveiro! Já dei vários “shows” no meu banheiro usando embalagens de shampoo como microfone e, espumas e bolhas de sabão como efeitos especiais.
Aposto que você já deve ter percebido a tão sedutora acústica de nossos banheiros, que faz com que qualquer voz soe como veludo no ar. É ela a responsável por nos sentirmos como um verdadeiro “pop star”. Bendita seja a acústica! Sem ela para me iludir de meus dotes, eu nada seria.
Então, para mim, o banheiro revelou-se um lugar sagrado. Quando quero cantar alguma música, quando quero extravasar... não preciso mais nem entrar no banho; ponho-me em frente ao espelho e simplesmente canto. Porém, confesso que a hora do banho continua sendo o ponto alto de minhas performances. Meus espectadores, contudo, são sempre estáticos; meus fãs são os meus perfumes, toalhas, escovas de dente... mas, isso sequer influi na minha festa particular.
Assim, se você tem vergonha de cantar, não é tarde para tentar mudar. Com certeza você deve conviver com alguns males que está louco para espantar! Explore seu próprio banheiro, você não precisa cantar em qualquer lugar... deixe o barulho da água simplesmente te levar. (até rimou!)
Eu sou suspeita, já estou fascinada pela satisfação e alegria que tomou conta dos meus dias. Meus “shows” deixaram-me tão confiante, que já me sinto uma profissional! Até me arriscaria a cantar para uma verdadeira multidão (dessa vez de pessoas) em plena Marginal Pinheiros! Quer dizer, contanto que ela tenha a mesma acústica do meu banheiro...

sábado, 28 de junho de 2008

Agora, chove todos os dias



Advogado, pós-graduando, poliglota, sofisticado, culto, viajado, carro do ano, boa família, bonito, simpático...
Esse parece ser o típico “bom partido” que todas procuram na vida. Mas, aí eu me pergunto se isso é suficiente para se apaixonar por alguém. Não se gosta de alguém apenas pelas qualidades que essa pessoa tem. Gosta-se de alguém pela convivência, pela intimidade construída, pela intensidade do abraço, pelo coração.
Para mim, nenhuma dessas qualidades de “ bom partido” é importante. Eu quero ter na minha vida, uma pessoa que me faça rir, que me faça cócegas ate minha barriga doer, que me obrigue a comer um hambúrguer hipercalórico só porque é gostoso; uma pessoa que goste de mim ao ponto de não ligar para as minhas celulites ou, para o meu rosto verde e abatido quando fico doente; uma pessoa que queira me ver todos os dias mesmo estando cansada, que dance comigo mesmo sem nenhuma música; uma pessoa que eu não consiga parar de beijar.
Concordo que é raro encontrar alguém assim, que te faça sentir tão bem... mas, acreditem, é possível! Só espero, que quando vocês encontrarem um alguém com esse potencial de conquistar seu coração, vocês tenham mais sorte do que eu, pois, devido a um infeliz disparate de interesses, escorreu-me pelos dedos esse sentimento nascituro.
Agora, o que me resta são as lembranças de um futuro que nunca chegou e, memórias de coisas que eu nunca vivi. Arrependo-me de não tê-lo guardado num potinho quando tive a chance e, de agora não o ter por perto, em cima da minha estante. Arrependo-me de não tê-lo deixado fazer o caminho mais longo para me deixar casa e, arrependo-me de sair do carro dele pela ultima vez, sem olhar para trás...
Então, assim, deu-se o fim de uma promissora paixão. A última visão que tive DELE, foi sua camisa listrada e seu cabelo bagunçado visto de trás; e o último ruído gravado pelo meu coração, foi a batida veloz do portão; batida que ecoa em mim a cada chuva, trazida na luz do relâmpago e no posterior barulho do trovão.

E, agora, chove todos os dias...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Remetente Divino


Palavras não ditas, nem escritas... e sim, palavras sentidas e traduzidas.



Minha filha,

fico feliz de estares sempre perto de mim e de deixar que eu faça parte da sua vida todo o tempo, desde as pequenas coisas até as grandes.
Sei o que queres, sei o que sentes, sei o que me pedes e, eu vos dou tudo o que desejas segundo a minha vontade; e a minha vontade é o seu bem. Sei que já consegues entender isso e sei também que confias tanto em mim que te abandonas em meus braços, assim como Noé abandonou sua arca ao meu dilúvio. Sei, também, que não consegues entender a grandeza de meus planos, embora entenda a sua pequenez diante deles e os aceite, quase sempre sem exitar.
Porém, preciso avisar-lhe de uma coisa, filha minha: cuidado com o que me pedes! Pois eu, sempre que puder, atenderei os seus pedidos; afinal, dei-lhe o discernimento e o livre-arbítrio necessários para fazê-los com consciência. Estou dizendo-te isso, pois sei que já sentiste o gosto amargo de um pedido não pensado. Há alguns anos atrás, quando eras menos madura, vós me pedistes, em um momento de desespero e desilusão, para eu nunca mais deixar tu te apaixonares por ninguém e, vós pediste isso com tanto afinco que eu lhe concedi esse pedido e tu nunca mais se apaixonou; e eu vi tu tentares, tentares e tentares e não conseguir se apaixonar novamente; e vi tu chorares, chorares e chorares por se esforçar e, ainda assim, não conseguires de apaixonar. Então, vi que estavas arrependida do pedido que havia me feito e que, na verdade, nem lembravas mais de ter feito o tal pedido. Enviei-te, então, um sinal através do testemunho do sacerdote que tu mais admiras nesse mundo, a fim de que te lembrasse e entendestes que tudo o que estava a acontecer havia sido fruto da manifestação de sua própria vontade.
Sabia que entenderias o meu sinal e, assim foi feito. Sabia que entenderias que atitude tomar, pela intimidade construída que temos e, por vós me deixares sempre falar dentro do vosso coração; pois eu estou em vós, assim como vós estais em mim. E, assim, tu me pediste perdão, retirou o pedido e agradeceu-me por eu ter tirado as escamas dos teus olhos e ter te feito enxergar o teu erro.
Pouco tempo depois disso, conhecestes um outro filho meu. Também muito amado, mas que ultimamente está um pouco distante de mim. Contudo, ele é um homem bom, dono de um coração digno e, por isso, vós te apaixonastes por ele.
Junto com essa paixão, veio um medo de se machucar novamente e uma insegurança que tu não soubeste como conter e, assim, tu entregaste tuas angustias a mim por diversas vezes e, pediu-me ajuda e sinais, que eu vos enviei, mas que tu não destes credibilidade.
Sei a dúvida que se abateu sobre vós e como estavas confusa. Estavas com um mau pressentimento sobre esse novo relacionamento, mas não conseguia acreditar nele por achar que eu não incutiria em seu coração um sentimento que te fizesse sofrer novamente, mas, ao mesmo tempo, via meus sinais e não os entendia. Então, viestes a minha casa para conversamos e eu vos disse: “ Não se perturbe o vosso coração...eu vos enviarei o Espírito Santo da parte de Meu Pai.” ** Assim, tu entendestes, finalmente, como fazer o verdadeiro pedido de quem confia; tu me pediste: “ Pai, que aconteça aquilo que for para a minha felicidade. Guia-me e guarda-me segundo a tua vontade.”
Pois é, minha querida filha... É isto que estou a fazer. Sei que muitas coisas tu não entendes agora, mas, um dia, entenderás. Sei que estais sofrendo, mas isso faz parte do meu plano para o seu crescimento... e, meu coração está muito alegre por você não ter fraquejado na fé, mesmo tendo sido assombrada, recentemente, por alguns fantasmas do passado e ter sido injustiçada por aqueles que tu mais amas.
Saiba que nunca estarás sozinha. Eu estarei ao seu lado sempre, falando dentro do seu coraçãozinho e aumentando sempre a sua fé. Filha minha, tão amada... Continue no caminho do bem que eu sempre te darei forças para ires além da estrada.

Com amor,

Deus


P.S Quando não souber o que fazer, não se desespere. Seja luz. Isso basta.



** (Jo 14, 1a. 15,26)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

No fim, tudo faz sentido


Pode-se, e é comum, decepcionar-se com pessoas;
Pode-se, mas não é comum, perdoar;
Não se pode, mas é comum, julgar;
Pode-se, e é difícil, dar uma nova chance a alguém;
Pode-se, mas não se deve, ter medo de acreditar em alguém profundamente arrependido;
Pode-se, e é belo, confiar em alguém que despiu a alma diante dos seus olhos e, abandonou-se à sua sentença;

E assim, agora, a moça que, para você, era a menos confiável da cidade, é a dona do único coração que você realmente conhece...